VALDIGEM DE VINHEDOS... QUAIS JARDINS ENCANTADOS QUE ESCONDEM SECULARES SEGREDOS, MÁGOAS E ÁRDUO TRABALHO, ONDE OS AVÓS DOS AVÓS CULTIVARAM E FIZERAM AMADURECER CADA RUGA QUE TEM SEU ROSTO…

25_03

Brasão

BRASÃO-VALDIGEM

Escudo de vermelho, báculo de ouro, posto em pala e brocante, mitra episcopal de prata; em chefe, cacho de uvas de púrpura folhado de ouro, à dextra e ramo de oliveira de ouro, frutado de negro, à sinistra; contra-chefe ondeado de prata e azul. Coroa mural de prata de quatro torres. Listel branco, com legenda a negro: "VALDIGEM - LAMEGO".


Brasão não oficial, design gráfico da autoria do autor deste blog, segundo publicação em diário da república, n.º 219, 3.ª Série, Parte A de 22/09/1997. 

(Há data desta publicação não existia qualquer registo em plataforma digital)

25_02

HISTÓRIA

                                                                                                                       
VALDIGEM, jovem Vila, categoria a que foi elevada a 1 de Julho de 2003, é uma das 24 freguesias do concelho de Lamego, distrito de Viseu, tem uma população de 890 habitantes residentes (censos 2011) e um número indeterminado de migrantes, tem uma área de 10,9 Km2, considerada medianamente urbana, com cerca de 552 edifícios e uma superfície agrícola com cerca de 409 ha utilizados e 10 ha não utilizados, sendo como tal uma das maiores freguesias do concelho de Lamego, distando deste cerca de 7 km. Orago - São Martinho.

A lei n.º 22/2012 de 30 de maio, aprovou novo regime jurídico da reorganização administrativa territorial autárquica passando o Concelho de Lamego a ser constituído por 18 Freguesias. Valdigem... passou a estar agregada a Parada do Bispo, constituindo desta forma uma só Freguesia, «União das Freguesias Parada do Bispo, Valdigem...». 

mapa PT.gif



1- ENQUADRAMENTO HISTÓRICO                                                       

O seu foral foi concedido em 1182, no reinado de D. Afonso Henriques. Foi concelho até 1834.

Dominado pelo alto e forte castro de S. Domingos, o território desta freguesia, cujos limites penetram o perímetro dos muros castrejos até quase rente da ermida daquela invocação, a qual se encontra, por isso, toda dentro da freguesia de Fontelo, tem um povoamento inegavelmente anterior não só ao século XII, mas até á denominação romana que aqui se exerceu. 

   Na primeira metade do século XII tinha aqui notáveis haveres um filho-de-algo a que D. Afonso Henriques fizera doações nas cercanias de Lamego, a saber Pedro Viegas, que em 1163 fez uma vasta venda a D. Teresa Afonso, viúva de Egas Moniz, vobis dona Tarasia Alfonsi regiae prolis nutrici (isto é, ama dos filhos de D. Afonso Henriques), de muitos herdamentos em vários lugares nos arredores de Lamego, incluídos alguns in Baldigem (sic) in loco qui dicitur Galafura inter sancto Dominico et Queimada, et in Torrom ubi intra Barosa in Douro, isto é, respectivamente, no extremo sul da actual freguesia no vale do ribeiro que a atravessa, o local de Galafura (nome hoje perdido e que nada tem com Galafura, para além do Douro), e, no extremo noroeste, o local do Torrão, apertado ângulo entre o Barosa e o Douro e abaixo do declivoso cume da Mua.    O nome desta freguesia encontra-se bem documentado na Idade Média. Deve interpretar-se como sendo o genitivo dum nome visigodo, Balthweigs, latinizado em Baldoigius e conhecido por ser o nome dum Bispo de Cuenca nos meados do século VI.

    É natural que D. Teresa Afonso tivesse bens de herança de seu marido, e tudo aqui legou ela ao Mosteiro de Salzedas, sua fundação, antes de 1171. D. Afonso I libertou esses haveres de todo o débito real, e ele próprio em 1182 doava ao mesmo mosteiro certas fazendas.
     D. Afonso IV concedeu ao concelho de Lamego, cerca de 1330, uma carta para possuir em Valdigem a jurisdição crime. Mais tarde os procuradores da cidade às cortes queixaram-se a D. Afonso V que Valdigem fora do termo de Lamego (vê-se que o concelho de Valdigem se eclipsara momentaneamente, absorvido pelo de Lamego) e que D. João I retirara desse termo a freguesia para a dar a fidalgos, com jurisdição separada o que, apesar de D. Fernando o ter feito já, se não acusa contra este, que dera mesmo à vila carta confirmativa de todos os privilégios. Em 1372, de facto, D. Fernando doou as vilas de Tarouca e Valdigem a D. Maria Giroa (Girão), mulher de Martim Vasques da Cunha (o futuro vencedor da batalha de Trancoso), «por dívida que connosco tendes - diz o rei à dona - em casamento com o dito Martim Vasques», cedendo-lhe a jurisdição cível, excepto as apelações: A doação era feita também aos descendentes, segundo o filho maior varão ou a filha maior, se varão não houvesse, «para sempre», revertendo à coroa logo que se extinguisse a linha. Os senhores de Valdigem desta estirpe ficavam obrigados a «fazer feu» (feudo) do lugar e do outro doado servindo a coroa, sempre que fossem por ela requeridos, «com tantas lanças armadas de todo ponto quantas montar na renda dos ditos lugares» e «cada lança armada a guisa de França ou de Inglaterra» (Oeiras, 6-X-1372). Dois anos depois escassos, uma carta régia, dada em Salvaterra de Magos, a 26-IV-1374, dá a saber que entre estas datas fora dada, agora, expressamente a Martim Vasques da Cunha a jurisdição civil das duas vilas e que pouco depois lhe fora tirada, tendo tal carta por fim restituir-lha. A criminal continuava na coroa. Depois deste fidalgo, devido à sua retirada para Castela, ao que parece, Valdigem passou ao senhorio de seu genro, o famoso jurisconsulto Dr. João das Regras. Mas este não o teve muitos anos, porque uma carta de D. João I, de 1401, diz que este soberano havia comprado Valdigem a D. João de Castro para a poder doar a seu filho, o ínclito Infante D. Henrique. Morto este, parece que a vila voltou à coroa, imediatamente ou talvez pelo senhorio do duque de Beja, Infante D. Manuel, depois Rei.
     O cadastro de 1527 atribui à «vila de Baldigem» 146 fogos. Na povoação existiram casas nobres e vinculadas, como algumas dessas quintas o foram. Em 1532, Rui Fernandes atribui à freguesia o dizimo de mil alqueires de pão; de mil de vinho, de setecentos de castanha e de quatrocentos de azeitona. O concelho foi extinto em 1834 pelo liberalismo e incorporado no de Lamego.
    Quanto ao eclesiástico, a Igreja deve ter existência anterior à nacionalidade, erigida pelas «famílias» ou pelos próprios senhores da villa Baldoigii em honra de S. Martinho (de Tours) no século VI, devido à acção neste sentido desenvolvida pelo grande propagandista do culto daquele seu homónimo, S. Martinho de Dume. Assim, ter-se-ia mantido o templo através de várias vicissitudes ou ruínas, agora «próprio» dos novos senhores, os «comités» beirões dos séculos IX‑X, até à doação ao mosteiro vimaranense. Passada a villa no século XII, o mesmo sucedeu ao templo; e assim se compreende que nas Inquirições de 1258 se diga acerca de patronatu ecclisie sancti Martini de Baldign, que o padroeiro é o rei: rex est patronus et ... presentat dicte ecclisie. Em 1272, o Bispo de Lamego, D. Silvestre, lega no seu testamento a este tempo, ipsi ecclisie de Baldigem, para aniversário necrológico, em dia de S. Martinho, um maravedi de pescado sobre a sua vinha que vocatur Anegaça. Em 20-VIII-1292, D. Dinis, estando no Porto, passou carta à Sé lamecense, em complemento das concordatas com a Igreja, em que, entre outras coisas, era concedido ao Bispo e Cabido de Lamego o padroado da Igreja Paroquial de S. Martinho de Valdigem e a própria igreja. O Censual capitular de Lamego de cerca de 1530 cita a «vigairaria de Baldigem», cujo pároco, vigário, passara a ser da apresentação da dignidade capitular Lamecense do arcediago, chamado por isso «de Baldigem» ou «do Bago», ao qual pertenciam os dízimos, tendo o vigário, nos fins do século XVIII, com o pé de altar, uns 300 mil réis de renda.
    Um clérigo de Valdigem, D. André, fez em 1295 uma doação à dita Sé, já dona da igreja. Em 1448, fez outra à mesma Sé o tabelião local, João Afonso.
    D. Manuel I, deu  novo foral em 10 de Fevereiro de 1514.
    Na vila existiram cadeia, casa de câmara e pelourinho. Na freguesia havia no século XIX cinco capelas particulares e a da Ermida da Nossa Senhora da Conceição, pública e com irmandade.
    Nesta freguesia estão classificados como imóveis de interesse público os marcos graníticos, que serviram para demarcar em 1757 a zona dos vinhos generosos do Douro, colocada sob a jurisdição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas Douro, colocados nos seguintes locais: Qta de Sto António, no lugar do Tanque (caminho de Valdigem para o Barreiro), no lugar do Barreiro (caminho do Barreiro para o Alto da Portela) e na Quinta da Assoreira (Malpica).
 
 

2 - ENQUADRAMENTO SÓCIO-ECONÓMICO


Atividades sócio-económicas:

- Vitivinicultura (90% da produção de Vinho Generoso e 10% da produção de Vinho de Mesa da Região Demarcada do Douro);
- Olivicultura;
- Indústria de panificação;
- Construção civil;
- Venda por grosso de materiais de construção civil e agrícolas;
- Comércio geral de mercearia e bebidas;
- Comércio de peixe fresco, congelado e moluscos;
- Indústria de camionagem TIR; (inativo)
- Táxi; 

ALOJAMENTO:

 
3 - INFRA-ESTRUTURAS  E  EQUIPAMENTOS
 
Equipamentos sociais:
- Posto médico, com um médico e uma enfermeira, para os utentes de Valdigem, Figueira e Parada do Bispo; (de momento este serviço encontra-se suspenso por falta de médico).

Património:
- Pelourinho;
Marcos graníticos, que serviram para demarcar, em 1757, a zona de produção de vinhos generosos do Douro, colocados sob a jurisdição da Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro, que estão classificados como imóveis de interesse público;
- Edifícios onde estiveram instalados o tribunal, câmara, cadeia e outros serviços de comarca quando esta freguesia foi concelho até 1834, por foral concedido em 1182, no reinado de D. Afonso Henriques;
 
 
Associações:
 
Festas anuais:
- Romagem ao Monte de São Domingos (24 de Junho. É tradição secular, neste dia, ninguém trabalhar na freguesia);
- Nossa Senhora do Rosário de Fátima (1.° ou 2º,  fim-de-semana de Agosto, sexta a terça-feira);
- São Martinho (Padroeiro da freguesia, 11 de Novembro);
- Imaculada Conceição (8 de Dezembro).
 
 

Texto retirado:
Projecto de Lei nº 198/IX - Elevação de Valdigem a Vila.  (Realizadas alterações e actualizações)  

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------


Registos Históricos Valdigem,... pesquisa Net

Clique 
                                                

 Censos de 1878 

  Memória sobre os Forais 

 Memória sobre os Forais 

 

 

 

  
                 

João Pina de Morais (Escritor) 

Casa dos Falcões   

 Motim em Lamego  1915

 

 

 



VALDIGEM... Outra perspectiva

Este vídeo distingue-se pela música de fundo, da autoria de Alek Sandre (Alexandre), Valdigense, que com sensibilidade e emoção, dedica uma bonita canção a esta terra que amamos. Muito obrigado Alexandre, e muito sucesso.

Encantos e Recantos


Cristina Ribeiro


Cristina Ribeiro, cantora lírica, sócia fundadora da Operawave, uma associação cultural que tem como objetivo: promover o conhecimento do canto lírico; realizar concertos e recitais; apoiar jovens cantores líricos e músicos instrumentistas; apoiar e participar em atividades culturais e pedagógicas que aproximem o público da arte da ópera, entre outros...

Descendente de Mãe e Avós Valdigenses. 


Apresentação



Perguntas rápidas


Mais uma brilhante atuação

Ticiana Xavier

Ticiana Xavier... Valdigense...
Jornalista da TVI, com mais de 15 anos de experiência e reconhecidos méritos enquanto repórter na área criminal.

Clique

24_01

Quintas Valdigem

 Quinta de Casaldronho



Quinta dos Poços



Quinta de Santa Eufémia



Quinta de Marrocos



Quinta do Valdalágea

Alojamento Valdigem


Clique para informação


Casa Jerónimo B&B


Jerónimos Garden & Pool Villas


Casa de São Bernardo by LovelyStay


Fonte dos Pepes by LovelyStay


Quinta De Casaldronho Wine Hotel


Quinta do Valdalágea


Quinta de Marrocos



21_02

Vindima - Valdigem - Lucas Lima


A vindima é o culminar de um longo e árduo ano de trabalho ...

Lucas Lima, produtor Valdigense, fez-se reunir por um grupo de bons trabalhadores e amigos, transformando a colheita numa autêntica festa !!!

Esmero - Valdigem


"Esmero", vinho de excelente qualidade produzido em Valdigem, baixo corgo, em vinha velha, pelo produtor e enólogo Eng. Rui Soares.

16_08

Valdigenses em Vindima 1982

Este vídeo é dedicado fundamentalmente às pessoas que o protagonizaram já desaparecidas, assim como ás suas famílias, com o devido respeito pela sua memória e inerente saudade e naturalmente também aos que se encontram entre nós… um grande abraço e “recordar é viver”.

Esta preciosidade, foi emitida pela “RTP Memória” e faz-nos regressar a um Douro de outros tempos! em que a Vindima era o culminar de árduo trabalho, não apenas do ano transato, mas de muitos anos, quer na moldagem desta magnifica paisagem, quer na produção deste precioso néctar, promotor de enorme festa e satisfação…

A todos quantos através de desmedidos esforços, laborando de sol a sol, a troco de quase nada, moldaram com a força dos seus braços o hoje admirado e romântico Douro oferecendo-o ao mundo, muito obrigado e serão eternos!!!

.Francisco Duarte


"Porto" Néctar do Douro...

São múltiplas as tarefas... até que o precioso néctar chegue aos nossos copos... Plantação do americano,(bacêlo), enxertar, podar, enxofrar, sulfatar, enrolar, despontar, selecção de cachos, vindimar, pisar, encubar, são apenas alguns exemplos do árduo trabalho neste lindo Douro que é de "oiro"

É fonte inspiradora de Poetas... mas é preciso senti-lo... vivê-lo... respirá-lo...


" O Doiro necessita de ser finalmente

olhado pela nação como o seu olimpo

sagrado, o chão bendito que produz a

única riqueza de que somos senhores

exclusivos: O Porto que o mundo assim 

conhece e saboreia, imita em todas as

latitudes sem nunca igualar. Mas esse

carinho pátrio tem de começar pelo

obreiro do prodígio, pelo oficiante de

mãos calosas que espreme os xistos

até os fazer ressumar"

 

 O que é bonito neste mundo, e anima,

É ver que na vindima

De cada sonho

Fica a cepa a sonhar outra aventura...

E que a doçura

Que se não prova

Se transfigura

Numa doçura

Muito mais pura

E muito mais nova...

 Miguel Torga  

 
Depois que me senti envelhecer,
Passo horas e horas no meu lar,
De janela em janela, a espreitar
O breve mundo que me viu nascer.

Tem montes que não deixam de crescer,
Videiras que ninguém pode contar,
Oliveiras que vivem a rezar
E um rio que não para de correr.

Este pedaço de viril beleza,
Este painel de rica natureza
Irá comigo para o Além.

Sempre lhe quis e sempre o defendi,
Fui eu até que um dia o descobri...
Não o posso deixar a mais ninguém.

 João de Araújo Correia

 

 "O traço mais forte do Norte de Portugal foi desenhado, de lado a lado, e chama-se Douro. Nele, quando o admiramos de baixo para cima, vemos que a Natureza o desenhou, empregando um pincel semelhante ao de Miguel Ângelo. Nele a Natureza “foi robusta, solene e profunda” (...)

 Alexandre Hérculano

 
Duma tormenta de sol e de seiva, de vida e de amor, saem como da ganga de uma mina a joalharia mais bela e a perfumaria mais delicada. É por isso que uma garrafa de vinho velho enche, com os seus éteres penetrantes um palácio inteiro de perfume e caindo em gotas, ao vertê-lo, num cristal ou numa tomboladeira de prata, é como se desatassem num colar de jóias. Nunca vi cores assim.

 Pina de Morais in Sangue Plebeu

Festas Nª Srª de Fátima

Valdigem - Adeus á Virgem 2022


Recepção N. Sra. Fátima 2023


Valdigem - Adeus á Virgem 2023



Valdigem - Cortejo 2023



Valdigem - Ramalhos 2023



Velocidade Furiosa - Valdigem

Helicóptero utilizado nas gravações do filme "Fast X", o décimo da saga "Velocidade Furiosa", a realizar um teste numa passagem estreita entre montanhas em Valdigem, no concelho de Lamego. 

Douro

Barragem do Varosa

16_06

Aconteceu há 100 anos em Lamego: «O motim de Lamego» (20 de Julho de 1915)

Posted by lamecum in Chronicon Lamecensis

Motim Lamego

O tiroteio à nossa volta dificulta-nos a audição

Mas a voz humana é diferente dos outros sons

Pode ser ouvida sobre outros sons que abafam tudo o resto

Até mesmo quando não há gritos

Até mesmo quando é só um murmúrio

Até mesmo o mais leve murmúrio pode ser ouvido sobre o

barulho dos exércitos quando diz a verdade.

Jornaleiros do Douro – (Emílio Biel)    

Poema retirado do filme “The Interpreter”

A 20 de Julho de 1915, o povo das aldeias de Cambres, Valdigem, Sande e Figueira, cerca de 5000 pessoas, dirigiu-se à cidade de Lamego, manifestando-se em frente ao edifício da Câmara. De acordo com os relatos dos jornais, no momento em que a comissão de representantes se encontrava reunida com a Comissão Executiva da Câmara de Lamego, de repente, a população foi atacada com bombas, caindo, mortos ou feridos, vários manifestantes e debandando a maioria. Com a população em fuga, mais nove pessoas seriam atingidas, mortalmente, pelas costas, por tiros disparados das janelas traseiras da câmara. O balanço trágico do motim de Lamego somou 11 mortos e 19 feridos.

Na noite do dia 19 começou a correr pela cidade que os sinos das aldeias tocavam a rebate, convidando o povo a dirigir-se a Lamego para pedir à Câmara o seu apoio à sagrada questão do Douro. Na manhã do dia 20 de abril de 1915, umas 4 ou 5 mil pessoas das freguesias vinhateiras do concelho armadas de varapaus, foices, machados, etc., entraram na cidade, obrigando todo o comércio a fechar as suas portas e obrigando também os principais proprietários a acompanhá-los ao edifício dos Paços do Concelho nessa romaria que depois tão triste e tão fúnebre se tornou (1).

A liderar essa multidão ia um popular a empunhar uma bandeira negra com a seguinte frase: “O Sul mata-nos à fome!”. Todos se dirigiram ao Município e aí foi nomeada uma comissão para se reunir com a vereação e autoridade administrativa sobre a atitude a tomar perante a gravíssima questão do Douro. Durante a tal reunião tudo correu dentro da ordem. Depois…

“Duma das varandas um soldado arremessou sobre a multidão a barretina onde reluzia um 9 metálico. Os lídimos e brilhantes esteios da ordem, todos com larga folha de baixos serviços políticos […] supuseram a República em perigo… iam cambalear as instituições políticas da terreola e lugubremente, com gesto carniceiro, despejaram bombas sobre a multidão inerme e de cabeça descoberta. Na multidão abriram-se grandes clareiras sangrentas e gritos agudos encheram os ares. Civis, no mais aceso orgulho de cidadãos livres, arrancaram as espingardas aos soldados e visaram os fugitivos, atingindo-os pelas costas. ” (in Sangue Plebeu de Pina de Morais).


 Em jeito de singela homenagem, aqui fica a relação dos mortos no “Motim de Lamego”:


 – Franscisco dos Santos Araújo (jornaleiro de Portelo de Cambres)

– Manuel Carneiro (sapateiro de Britiande)

– Francisco Guedes (jornaleiro de Pomarelhe de Cambres)

– Maximiano da Silva (proprietário de Valdigem)

– Bernardo Pinto (casado, Riobom de Cambres)

– João Cardozo (casado, Parada do Bispo)

– José Gomes Rabito (casado, do Ladario de Cambres)

– Pedro da Silva (casado, de Quintião Cambres)

– José da Rede (casado, feitor da Quinta dos Sequeiros)

– António Ribeiro (casado, de Riobom de Cambres)

– Ana Taininha (de Valdigem)


(1) JORNAL “A FRATERNIDADE”. V ANO, N.º 241, DE 24 DE JULHO 1915

10_05

Réplicas de Forais

A atribuição de um foral era outorgar a uma comunidade poder jurídico próprio, promovendo
o seu desenvolvimento, a sua autonomia e a organização do território no Reino de Portugal.

Valdigem, foi de facto muito importante nessa época, o primeiro foral foi atribuído por D. Afonso Henriques em 1182. 
Em 1514 D. Manuel I concedeu novo Foral, essa doação fez com que a essa altura Valdigem possui-se Cadeia, Casa de Câmara e Pelourinho, chegando ao século XIX, possuía cinco Capelas Particulares e ainda a Nossa Senhora da Ermida, templo este que era Publico e com Irmandade.

Foral conced1182, no reinado de D. Afonso Henriques

              
D. Manuel I, deu  novo foral em 10 de Fevereiro de 1514


Importantes documentos de possível consulta na Torre do Tombo em Lisboa.

Longe da Política ... Mas perto de Valdigem...


Na vida, e relativamente à “comédia humana”, costumamos dividir o tempo e/ou os anos em vários momentos simbólicos, como por exemplo, as estações do ano, Verão, Inverno, Outono e Primavera, eles ajudam-nos na nossa caminhada e animam as nossas ilusões, sonhos e anseios. Nas estações, em cada uma delas, criamos momentos específicos, tais como “temporadas”: Temporada de Férias, de passeios, de viagens, etc…
Estamos em temporada de eleições autárquicas, ou seja estamos em temporada de voltar a sonhar! Em tempo de sonhos suspensos pelos "virús", uns identificados, mas difíceis de aniquilar tal é a sua matreirice e sistemática mutação e outros mais ou menos identificados mas igualmente matreiros e também mutáveis de acordo com determinadas conveniências…
Valdigem sempre viveu uma grande “crise” a nível colectivo, "o Valdigense é muito importante, muito inteligente, incomparavelmente melhor que o vizinho do lado, o seu ego é maior que uma das maiores freguesias do concelho, VALDIGEM" !!! bom... se colocarmos o individualismo ao serviço do “TODO” faremos de Valdigem uma terra atraente para novas gentes e capaz de impedir a migração dos seus nativos oferecendo-lhes boa qualidade de vida.
No entanto os eleitos têm um papel fundamental na prossecução destes objetivos, sendo as suas responsabilidades supra elevadas em relação aos seus concidadãos, mandatários das suas necessidades e anseios, e devem por isso servir com nobreza, sem olhar ao estatuto, estrato social, ou outra qualquer característica.

"Já se fez... ou não... muito mais se pode fazer!!!

Eu voto neste programa eleitoral ! Eu voto VALDIGEM...

Hino de Valdigem


HINO

 Situada entre montanhas

Cercada de penedias

Fica a nossa linda terra

Valdigem de maravilhas

O povoado não é pequeno

Mas de honrados lavradores

Que desde o Cabo á Praça

Todos merecem louvores

Ao cimo o São Domingos

Protector dos nossos lares

A quem todos recorremos

Com preces e muito salutares

E a Senhora da Ajuda

No Centro da nossa terra

Para quem vai todo o afecto

Que o nosso coração encerra

Sinto orgulho de ser filho

Deste formoso torrão

Tão bonito tão bonito

Que eu guardo no coração

Eu adoro a minha terra

Não como coisa mesquinha

Eu adoro a minha terra

Porque é minha muito minha


 Sugestão de: João Manuel Duarte Fonseca 

Diz...

Cantava-se nos momentos lúdicos da primária nos anos 50/60. Desconheço porém o autor da letra. Para relembrar aos que esqueceram e aos frequentadores do blog, uma forma de conhecer um pouco mais o passado recente da nossa terra.