VALDIGEM DE VINHEDOS... QUAIS JARDINS ENCANTADOS QUE ESCONDEM SECULARES SEGREDOS, MÁGOAS E ÁRDUO TRABALHO, ONDE OS AVÓS DOS AVÓS CULTIVARAM E FIZERAM AMADURECER CADA RUGA QUE TEM SEU ROSTO…

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Ilustres Valdigenses...

João Pina de Morais 

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Há 90 anos, várias dezenas de viticultores, entre eles vários Valdigenses, foram recebidos a tiro por um destacamento militar, quando se dirigiam à autarquia para reclamarem melhores condições de vida, alguns caíram mortos. Esta tragédia ficou perpetuada na obra “Sangue Plebeu”, da autoria do escritor Pina de Morais.


João Pina de Morais nasceu a 6 de Janeiro de 1889 na freguesia de Valdigem, concelho de Lamego, distrito de Viseu. Ainda jovem, estudou no Colégio de Lamego e, na prossecução dos estudos, frequentou a Academia Politécnica do Porto onde, em 1911, concluiu o Curso Preparatório para a Escola do Exército na arma da Infantaria.

No mesmo ano de 1911 frequentou a Escola de Guerra e, posteriormente, assentou praça em Vila Real, no Regimento de Infantaria 13. Alguns anos mais tarde, em 1917, foi incorporado no Corpo Expedicionário Português, tendo participado na I Guerra Mundial. No regresso desta, em 1919, foi transferido de Vila Real para o Regimento de Metralhas no Porto, onde lutou ativamente contra a investida monárquica de Paiva Couceiro.
Ainda em 1919, a sua amizade por Leonardo Coimbra incitou-o a inscrever-se como voluntário na recém criada Faculdade de Letras da Universidade do Porto, onde frequentou o curso de Ciências Filosóficas.

Em 1922 foi eleito deputado, depois de uma tentativa falhada no ano anterior. A sua vida política ficou marcada pela ação contestatária em prol dos mais desfavorecidos. Em 1924 aderiu ao Partido Republicano Português, do qual acabou por ser expulso devido a incompatibilidades políticas com o ideário do partido.
Em 1926, após o golpe militar do General Gomes da Costa, participou ativamente no processo contra-revolucionário, razão pela qual foi obrigado a exilar-se entre os anos de 1927 e 1932. O regresso a Portugal após este episódio, e devido à ditadura vigente, foi marcado por uma ausência literária que havia de durar cerca de 20 anos.

Enquanto escritor, a vida de Pina de Morais ficou também marcada pela sua produção literária. A partir de 1917 colaborou ativamente com o jornal A Democracia; as crónicas que escreveu para este jornal resultaram no seu primeiro livro, Ânfora Partida (1917). Mais tarde, em 1919, regressado da guerra, lançou o seu segundo livro, Ao Parapeito, onde descreveu as vicissitudes da guerra vividas na pele de homens comuns, com medos, fragilidades e receios próprios da natureza humana. Na senda de Ao Parapeito, lançou, ainda, O Soldado-Saudade na Grande Guerra, em 1921.
Um ano mais tarde, com a publicação de A Paixão do Maestro (1922), apresentou pela primeira vez a temática regionalista do seu Douro natal; este livro marcou ainda a transição ideológica do escritor que abandonou a estética saudosista e adotou o naturalismo. Os inícios da década de vinte marcaram, ainda, a colaboração literária de Pina de Morais com os grupos culturais da Seara Nova e da Renascença Portuguesa.

Após um interregno de vinte anos, em 1942, Pina de Morais publicou o seu livro mais consagrado, Sangue Plebeu. É um conjunto de novelas que se distingue pelo seu realismo e veracidade, misturados com uma profunda humanidade e riqueza pictóricas. Já em 1949, publicou o seu último livro, Vidas e Sombras, que narra as vicissitudes da natureza humana numa linguagem rica e ilustrativa.

No início de 1950 foi vítima de um acidente vascular cerebral que o deixou física e intelectualmente incapacitado. Os anos que se seguiram foram marcados pela degradação do seu estado de saúde. Morreu no dia 29 de Janeiro de 1953, vítima de mais um acidente cardiovascular.

(Texto de Tiago Santos Reigada, 2008)


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Rev.mo  Cónego José Pinto Teixeira


No local onde foi erigida a capela - mor de Nossa Senhora dos Remédios existia uma pequena ermida, mandada construir pelo bispo D. Durando, em 1361, dedicada a Santo Estêvão.
Em 1568, o bispo de Lamego D. Manuel de Noronha autorizou a demolição da velha ermida e, no local onde atualmente se situa o Pátio dos Reis, mandou erguer outra sob invocação de Nossa Senhora dos Remédios. Esta capela acabou por ser também demolida para se erguer o atual Santuário, cuja primeira pedra foi assente em 1750, por iniciativa do Cónego José Pinto Teixeira.

Quem entra na Casa de Nossa Senhora dos Remédios, encontra, logo à entrada, esta inscrição: «Aqui jaz o Rev.mo Cónego José Pinto Teixeira, Fundador deste Santuário. Faleceu a 25 de Abril de 1784» . Assim sendo, faz 232 anos que ocorreu a sua morte.
Oriundo de Valdigem, viveu em Lamego, mais propriamente na Rua da Olaria. Eleito Juiz da Irmandade em 1748 (em 1741 já desempenhara tais funções), foi sobretudo a ele que se deveu a construção do Santuário. Por muito grande que seja a nossa gratidão, será sempre muito pequena em comparação com a sua extrema (e extremosa) dedicação!

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