VALDIGEM DE VINHEDOS... QUAIS JARDINS ENCANTADOS QUE ESCONDEM SECULARES SEGREDOS, MÁGOAS E ÁRDUO TRABALHO, ONDE OS AVÓS DOS AVÓS CULTIVARAM E FIZERAM AMADURECER CADA RUGA QUE TEM SEU ROSTO…

16_08

"Porto" Néctar do Douro...

São múltiplas as tarefas... até que o precioso néctar chegue aos nossos copos... Plantação do americano,(bacêlo), enxertar, podar, enxofrar, sulfatar, enrolar, despontar, selecção de cachos, vindimar, pisar, encubar, são apenas alguns exemplos do árduo trabalho neste lindo Douro que é de "oiro"

É fonte inspiradora de Poetas... mas é preciso senti-lo... vivê-lo... respirá-lo...


" O Doiro necessita de ser finalmente

olhado pela nação como o seu olimpo

sagrado, o chão bendito que produz a

única riqueza de que somos senhores

exclusivos: O Porto que o mundo assim 

conhece e saboreia, imita em todas as

latitudes sem nunca igualar. Mas esse

carinho pátrio tem de começar pelo

obreiro do prodígio, pelo oficiante de

mãos calosas que espreme os xistos

até os fazer ressumar"

 

 O que é bonito neste mundo, e anima,

É ver que na vindima

De cada sonho

Fica a cepa a sonhar outra aventura...

E que a doçura

Que se não prova

Se transfigura

Numa doçura

Muito mais pura

E muito mais nova...

 Miguel Torga  

 
Depois que me senti envelhecer,
Passo horas e horas no meu lar,
De janela em janela, a espreitar
O breve mundo que me viu nascer.

Tem montes que não deixam de crescer,
Videiras que ninguém pode contar,
Oliveiras que vivem a rezar
E um rio que não para de correr.

Este pedaço de viril beleza,
Este painel de rica natureza
Irá comigo para o Além.

Sempre lhe quis e sempre o defendi,
Fui eu até que um dia o descobri...
Não o posso deixar a mais ninguém.

 João de Araújo Correia

 

 "O traço mais forte do Norte de Portugal foi desenhado, de lado a lado, e chama-se Douro. Nele, quando o admiramos de baixo para cima, vemos que a Natureza o desenhou, empregando um pincel semelhante ao de Miguel Ângelo. Nele a Natureza “foi robusta, solene e profunda” (...)

 Alexandre Hérculano

 
Duma tormenta de sol e de seiva, de vida e de amor, saem como da ganga de uma mina a joalharia mais bela e a perfumaria mais delicada. É por isso que uma garrafa de vinho velho enche, com os seus éteres penetrantes um palácio inteiro de perfume e caindo em gotas, ao vertê-lo, num cristal ou numa tomboladeira de prata, é como se desatassem num colar de jóias. Nunca vi cores assim.

 Pina de Morais in Sangue Plebeu

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